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CLASSIFICAÇÃO DAS ANOMALIAS CONGÊNITAS DA ORELHA

As anomalias congênitas do pavilhão auricular apresentam imensa variedade de formas clínicas. Denomina-se MICROTIA (que significa orelha pequena) às anomalias congênitas com diminuição do tamanho da orelha. Em mais de 90% dos pacientes portadores de microtia apresentam deformidades associadas em outros segmentos do corpo podendo comprometer a face, o coração, o tórax, membros superiores e inferiores.

As imperfeições congênitas podem ser uni ou bilaterais. Reconstruir uma orelha é um grande desafio. Nas intervenções bilaterais são ainda mais complexas porque exibem outras alterações anatômicas nas estruturas da face e crânio, que dificultam obter adequado equilíbrio entre os dois lados e harmonia facial.

DISTÚRBIO DA AUDIÇÃO

As anomalias do pavilhão auricular podem apresentar alterações nas estruturas do ouvido interno, médio e externo com repercussões diretamente na função auditiva. Tais alterações não são constantes e exibem diversificadas formas clínicas. Em 50% dos pacientes portadores de microtias o conduto auditivo externo está presente, porém o distúrbio da audição ocorre em apenas 25% dos pacientes. A presença do conduto auditivo externo não assegura função auditiva, pois existem pacientes com conduto porém exibem distúrbio da audição e outros sem o conduto podem apresentar audição normal.
Exames de tomografia de crânio e face e audiometria podem favorecer a interpretação das anomalias estruturais associadas às malformações do pavilhão auricular.

DEFORMIDADES ADQUIRIDAS DA ORELHA

Pacientes que apresentavam as orelhas normais podem perdê-las parcial ou totalmente durante a vida causada por trauma. Assim, o trauma orgânico pode produzir lesões estruturais em uma ou em ambas as orelhas determinando perda parcial ou total gerando desequilíbrio e alterações na harmonia facial. Diversas causas podem destruir as orelhas: queimaduras, acidente de carro, agressão física (com faca, tesoura e outros elementos cortantes), mordida animal (cão, cavalo
vaca, porco, capivara, camelo) mordida humana e outros agentes.

Além do trauma, os tumores (câncer, hemangiomas, linfangiomas) e outras enfermidades como a lepra, leishimaniose igualmente podem se instalar em alguma região das orelhas e destruí-las parcial ou totalmente. Muitas vezes a remoção da orelha é o único recurso de tratamento para salvar a vida dos pacientes. Após a cura da enfermidade e completa cicatrização das feridas a cirurgia pode promover a reparação ou reconstrução de uma ou ambas as orelhas.

TÉCNICAS PARA RECONSTRUÇÃO DA ORELHA

Para reconstrução de uma nova orelha tanto nas deformidades de origem congênita, como adquiridas é necessário realizar no mínimo duas etapas cirúrgicas. Na primeira fase operatória há necessidade de criar duas estruturas fundamentais:

a) o novo esqueleto cartilaginoso
b) o revestimento cutâneo para a nova orelha

a) Criação do novo esqueleto cartilaginoso

Para criar o novo esqueleto da orelha há descrições científicas da utilização de vários materiais sintéticos (nylon, polietileno, silicone), porém o melhor elemento é a cartilagem da costela do próprio paciente. A costela humana é formada por osso no segmento posterior e cartilagem na parte anterior. Durante a primeira etapa reconstrutiva deve-se retirar um bloco de cartilagem na parede anterior do tórax do paciente e em seguida procedem-se escavações para esculpir o novo esqueleto. A criação dos elementos anatômicos e estéticos do novo órgão depende do trabalho escultural no bloco de cartilagem.

b) Revestimento cutâneo para a nova orelha

Para criar o revestimento cutâneo o cirurgião deve utilizar a pele da própria região fazendo descolamento da pele local com a finalidade de criar um túnel subcutâneo onde será introduzido o novo esqueleto auricular. Tanto em casos de origem congênita como traumática habitualmente o paciente apresenta superfície de pele com possibilidades de criar o revestimento da futura orelha.

O segundo tempo operatório deve ser realizado 6 meses após o primeiro. Durante esse período a pele que reveste o novo esqueleto cartilaginoso fornece “nutrição” para a sobrevivência da cartilagem colocada no primeiro tempo reconstrutivo.
As intervenções cirúrgicas são realizadas em ambiente hospitalar necessitando internação do paciente de 12 a 24 horas para cada estágio reconstrutivo.

Alguns exemplos com imagens de deformidades da orelha:

- Amputação total traumática por acidente de carro
- Amputação do polo superior por acidente de carro
- Amputação parcial da orelha para tratamento de câncer
- Amputação total causada por queimadura
- Amputação da orelha causada por mordida humana
- Deformidade traumática da orelha causada por mordida de cão
- Deformidade traumática causada por colocação de pearcing

- Anomalia Congênita do Lóbulo Auricular Unilateral
-
Hemangioma de Orelha

- Anomalias Congênitas (ausência da orelha)

- Anomalia Congênita Bilateral (ausência das orelhas)

 

MODELAGEM DO NOVO ARCABOUÇO AURICULAR EM CARTILAGEM DE COSTELA

   

CARTLAGEM DE COSTELA
RETIRADO DURANTE A CIRURGIA

 

TRABALHO ESCULTURAL POR
ESCAVAÇÃO PARA CRIAR OS
DETALHES ANATÔMICOS E
ESTÉTICOS DA NOVA ORELHA

 

O NOVO ESQUELETO DA
ORELHA JÁ ESCULPIDO
EM CARTLAGEM DE COSTELA

PRIMEIRO TEMPO CIRÚRGICO PARA RECONSTRUÇÃO APÓS AMPUTAÇÃO TRAUMA

   

 

 

SEGUNDO TEMPO CIRÚRGICO PARA RECONSTRUÇÃO APÓS AMPUTAÇÃO TRAUMA

 

ESQUEMAS DE ORELHAS JÁ RECONSTRUÍDAS EM CASOS DE MICROTIA

  

 

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